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Diagnósticos do mundo contemporâneo e experiências educativas




Agatha Felix, Kauan Peixoto, Kauã Rosario, Kauê dos Santos, Ketellen Gomes, João Pedro, Miguel, Guilherme Guedes...


Nomes, dentre tantas outras identidades, que representam a permanência do preconceito racial, perdas sociais e necessidades urgentes de mudanças educativas.





Os impactos da colonização acabaram por incidir nos processos identitários das metrópoles. Os constructos sociais foram imperativamente modificados e condicionados a relações de violência de aspectos físicos ou psicológicos, bem como a imposição cultural, além de prever impactos de violência imediatos, tais como alterações linguísticas e culturais, desencadearam no longo prazo o clima de tensão. Para exemplificar esta última abordagem, Frantz Fanon, psiquiatra e filósofo político que viveu no século XX, dentre suas tratativas reflete sobre os mitos malévolos criados pelos povos colonizados de forma a compreender sua realidade, ao criar possibilidades de realidades ainda mais adversas, estes buscavam conformar-se de sua realidade hostil.


No livro Orientalismo, o autor Said reforça os aspectos limitadores e generalizantes da ótica ocidental para lidar com as diversidades de demais localidades, ecoa uma visão reducionista que reverbera ainda nos tempos atuais. Estabelecendo dialogicidade com o livro Epistemologia do Sul, é possível ponderar os ganhos se houvesse real rompimento desta visão limitadora. O diálogo intercultural demonstra-se necessário para intercambio de conhecimentos, o qual beneficiaria todos os envolvidos, fator incipiente no século XXI devido às severas marcas dos processos colonizadores e falhas governamentais em políticas que orientem verdadeiramente seus cidadãos a liberdade e igualdade.


Portanto, o diagnóstico, acerca de temáticas violentas na contemporaneidade, só é possível a partir de reflexão historiográfica que permita aplicação adequada de medidas que interrompam ciclos preconceituosos . A professora da UNIFESP, Ellen Souza, relaciona a herança do racismo às condições vivenciadas atualmente de necropolítica- conceito desenvolvido pelo professor universitário Achille Mbembe em 2003 para representar questionamentos entre relações de resistência, sacrifício e terror submetidas a aspectos de poder que acabam por determinar condições de vida e morte.


A professora Ellen reforça a necessidade de tratar as vítimas pelos nomes a fim de que estas não sejam apagadas, bem como as problemáticas sejam retratadas a fim de gerar mobilizações que calem poderes de morte: “o sintoma brutal da necropolítica também tangencia o apagamento da memória, a supressão e a distorção das narrativas que dão contornos aos acontecimentos que continuam a violar o direito à vida, sufocando as causas violentas de histórias cujos arquivos ainda cheiram a sangue. Fazer esquecer, reordenar os encadeamentos dos fatos pelo interesse de ocultação e ignorar a produção sistemática da morte são gradientes próprios da necropolítica (2020)”


Portanto, reforçar as identidades das vítimas é um recurso eficaz para ilustrar nossa perda social, e relacionar perda de vidas em conjunção com a perda da paz, a perda da segurança a que somos submetidos mesmo dentro de casa.

Somente refletindo sobre as identidades perdidas, somos condicionados ao incômodo, já que a mídia repentinamente os esquece e substitui por novas vítimas do Estado que não prevê condições ideias de gerenciamento de seus agentes e nem propõe medidas de experiências educativas.


As pedagogias colonizadas impedem que crianças negras detenham inferiores capacidades de respeito a sua integridade. A crítica fundamenta-se no comportamento de professores que detém o foco educacional da negação e esteriopatização, limitando as ações de crianças negras, o que acaba por de forma indireta, exaltar a imagem do homem branco e recriar ciclos de racismos.


Desta forma, surge uma nova terminologia, também apregoada por Mbembe -o devir-negro que implica na generalização de lógicas negativas e estigmas à condição do negro.


Neste sentido, é urgente as manifestações sociais que cobrem novas experiências educativas de forma a corromper, nos espaços formativos a educação silenciada acerca dos preconceitos raciais, bem como a mídia pode ser ressignificada e gerar o esclarecimento social contínuo em pró de uma sociedade liberta das heranças coloniais que impactam nossa contemporaneidade.




  • O grupo de pesquisa Laroyê publica textos selecionados, oriundos dos trabalhos das disciplinas ministradas pela Profa. Ellen Souza, na UNIFESP, com a autorização dos discentes. Outras publicações possíveis são as dos membros do Grupo de Pesquisa Laroyê e/ou parceiros. Assim sendo, no momento, o blog/site não está aberto para publicações outras, devido à estrutura atual.





REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA


Jornal GGN. Crianças negras e sociedade doente de normose mortífera: basta! Disponível em: <https://jornalggn.com.br/artigos/criancas-negras-e-sociedade-doente de-normose-mortifera-basta-por-alexandre-filordi-e-ellen-gonzaga-l-souza/>. Acesso em 02 de fevereiro de 2020.


SOLZA, Ellen Gonzaga Lima; DIAS, Lucimar Rosa; SANTIAGO, Flávio. Educação infantil e desigualdades raciais: tessituras para a construção de uma educação das/nas relações étnico-raciais desde a creche. Humanidades & Inovação, v. 4, n. 1, 2017.


FANON, Frantz. Os condenados da terra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.

SAID, Edward W. Orientalismo: o oriente como invenção do ocidente. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.


SANTOS, Boaventura de Sousa; MENESES, Paula (orgs). Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2010.


 
 
 

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