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PROBLEMÁTICAS NÃO TÃO ATUAIS DO FEMINISMO



Bell Hooks em “Teoria Feminista: da Margem ao Centro” explicita o recorte minoritário onde se encontram mulheres negras, sofrendo não só opressão de gênero, mas também de raça e classe. O feminismo em sua insurreição não era representado por essas mulheres acima descritas. As mulheres retratadas nos antigos estudos e, ainda hoje, em boa parte das produções ditas feministas são mulheres brancas, em sua maioria com ensino superior que acessam direitos em uma sociedade supostamente democrática. Em contraste, temos mulheres negras, impedidas de acessar os direitos mais básicos, lutando para sobreviver em seus subempregos, reféns da necropolítica.

Não é necessariamente sobre considerar desnecessárias as pautas levantadas por essas mulheres brancas, mas sim evidenciar que suas manifestações, em diversas formas, quando conquistaram alguma coisa, agraciaram apenas um grupo muito seleto, enquanto a maioria das mulheres continuaram nas mesmas condições.


Esse feminismo (branco) inclusive gerou retorno financeiro para essas mulheres, que não precisavam lutar contra o capitalismo e nem cogitavam falar sobre recortes raciais e de classes, se tornou confortável se intitular “feminista” dentro desse sistema.


À medida que mais e mais mulheres adquiriram prestígio, fama ou dinheiro,

quer com seus escritos feministas quer com ganhos obtidos pelo movimento

feminista em virtude da maior igualdade na força de trabalho, o oportunismo

individual foi suplantado o apelo à causa coletiva. Mulheres que não se

opunham ao patriarcado, ao capitalismo, à distinção de classes sociais ou ao

racismo de repente passaram a se intitular como “feministas” (HOOKS,

2019, p. 35).


É comum em debates atuais quando mulheres negras alegam não se sentirem contempladas pelo feminismo, terem suas falas seguidas pela seguinte indagação “mas e o feminismo negro?”, o que pressupõe justamente que o feminismo em sua forma original não é interseccional, mas sim um reflexo da classe burguesa.


Para além dessa análise, ainda temos travestis¹ e mulheres trans, que também são excluídas pelo feminismo radical por esse só considerar como vítima de opressão de gênero a pessoa que possui uma vagina como genitália. O movimento continua hoje sendo bastante segregador, fazendo com que mulheres cis (aquelas que fogem do padrão), trans e travestis se encontrem e priorizem outras lutas. Feminismo sem recorte racial, social e de classe é apenas mais uma face da supremacia branca.


Afinal, feminismo para quem?



  • O grupo de pesquisa Laroyê publica textos selecionados, oriundos dos trabalhos das disciplinas ministradas pela Profa. Ellen Souza, na UNIFESP, com a autorização dos discentes. Outras publicações possíveis são as dos membros do Grupo de Pesquisa Laroyê e/ou parceiros. Assim sendo, no momento, o blog/site não está aberto para publicações outras, devido à estrutura atual.



Referência bibliográfica


HOOKS, Bell. Teoria Feminista da margem ao centro; tradução de Rainer Patriaota. São Paulo: Perspectiva, 2019.


¹ Apesar da identidade feminina Travesti não ser binarizada, algumas travestis também se identificam enquanto mulheres trans.




 
 
 

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